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Os melhores alunos do mundo. Não são super dotados.
 Deram a sorte de estar na melhor escola do
 país que tem o melhor ensino básico do planeta.
Por fora, a escola não tem nada de mais: 
1,3 mil alunos, 35 por classe. Veja o que faz diferença:
A senhora Park tem mestrado em Educação,
como a maioria dos professores lá. O karaokê
 é só um dos recursos educativos. Na sala de aula, 
tudo o que é preciso para educar com motivação.
São oito horas por dia na escola. Estressante? 
Não, é divertido, dizem eles.
Todos têm notas acima de oito. O segredo é 
nunca permitir que o aluno passe um dia sem
 entender a lição, diz a professora, que ganha 
o equivalente a R$ 10,5 mil por mês.
É a média na Coréia, onde os professores precisam 
ter curso superior e são atualizados e avaliados
 a cada dois anos. Se o aluno não aprende, 
o professor é reprovado.
Tudo isso num país que nos anos 50 estava 
destruído por uma guerra civil que dividiu 
a Coréia ao meio, deixou um milhão de
mortos e a maior parte da população na miséria.
Um em cada três coreanos era analfabeto.
 Hoje, oito em cada dez chegam à universidade.
A virada começou com uma lei que tornou o 
ensino básico prioridade. Os recursos foram
 concentrados nos primeiros oito anos de estudo,
 tornados obrigatórios e gratuitos, como são até hoje.
 O ensino médio tem 50% de escolas privadas e 
as faculdades são todas pagas, mesmo as públicas.
Bons alunos têm bolsa de estudos e o governo
 incentiva pesquisas estratégicas.
O fato é que logo depois da reforma da Educação, 
a economia da Coréia começou a crescer rápido, 
em média 9% ao ano durante mais de três décadas.
E hoje, graças à multidão de cientistas que o país
 forma todos os anos, a Coréia está pronta para 
entrar no primeiro mundo, tendo como cartão 
de visitas uma incrível capacidade de inovação 
tecnológica. Desde a área de computação até na genética.
Nos laboratórios onde lideram pesquisas de
 clonagem terapêutica, nas grandes corporações 
que espalharam marcas coreanas no mercado 
mundial de eletrônicos e de automóveis, 
aparece a revolução econômica que começou em casa.
“O segredo é a família, com pais comprometidos 
os alunos ficam motivados e os professores entusiasmados”,
 fala uma professora.
O governo concorda.
“Os pais que não tiveram oportunidade 
de educação lutaram para que seus 
filhos tenham o melhor. É prova de amor”, diz o governador.
“Foi a paixão pela Educação que fez a Coréia crescer”,
 concorda um  pai com quatro filhos , que como a média 
dos coreanos gasta 20% da renda familiar
 em cursos extracurriculares para reforçar o ensino.
Os filhos falam inglês com a desenvoltura 
que têm na música. E o casal bota um
 dinheirão em livros, comprados às dezenas.
 Porque testemunhou o que a educação fez pelo país.
“Quando eu ia para escola, nos anos 70,
 muitos colegas não tinham nem o que comer”,
 lembra o pai.
O avô lembra que no tempo dele não
 tinha nem livros. Agora o que falta para neta,
 de 16 anos é tempo para ficar em casa.
 Ela passa 15 horas por dia na escola.
Nessa jornada, tem japonês, alemão. 
São sete idiomas ofertados. Programar 
computadores, entender história. Tem as
diversões da vida no colegial mas não é brincadeira.
 É a corrida para entrar numa das três melhores
 universidades do país.
“Eu sinto responsabilidade com relação 
a minha família e meu país. Mas também 
porque um dia eu vou ter filhos”, diz Yong Woo.
O colega desabafa: a pressão é muito grande,
 principalmente para os meninos. Ela completa:
 “A Coréia quer homens perfeitos, esse é o problema”.
Os pais concordam. Acham que o ensino
 é competitivo demais, voltado à formação 
de profissionais de alto nível, deixando 
o ser humano de lado.
No Ministério da Educação e Recursos Humanos, 
o diretor explica: “Os coreanos não querem 
ser perdedores. Por isso a educação é voltada para a economia”.
De novo na terceira série, onde as crianças 
de 10 anos simulam entrevistas de emprego
 e as paredes tem slogans:
 “Economia forte significa um país forte” 
e também: “Economize um centavo, orgulhe seu país”.
As crianças acham natural. Puxam seus 
celulares “Made in Coréia” para fotografar
 os visitantes.
 Riem como quem sabe que tem futuro.
 (Sônia Bridi e Paulo Zero.)

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